Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar as possibilidades, os limites e as implicações ético-pedagógicas do uso da Inteligência Artificial Generativa (IAG) na adaptação curricular de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto da escola regular inclusiva brasileira. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico, desenvolvida a partir da consulta e análise de produções acadêmicas, documentos institucionais e referências normativas relacionadas à inteligência artificial, educação inclusiva, neurodiversidade, adaptação curricular e acessibilidade. A análise da literatura indica que a IAG pode auxiliar na elaboração e adaptação de materiais didáticos, na diversificação das formas de apresentação dos conteúdos, no apoio à Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) e na organização de atividades de acordo com diferentes necessidades educacionais. Também foram identificados possíveis benefícios relacionados à otimização do tempo do professor no planejamento de recursos pedagógicos. Entretanto, o uso dessas ferramentas envolve riscos relacionados à produção de informações incorretas, à reprodução de vieses e estereótipos, à proteção de dados pessoais e à utilização inadequada da tecnologia como substituta da mediação docente. Conclui-se que a IAG pode ser um recurso de apoio ao trabalho pedagógico, desde que utilizada de forma planejada, crítica e responsável, considerando os princípios da neurodiversidade, os direitos educacionais dos estudantes e a necessidade de acompanhamento e decisão por parte do professor.

Palavras-chave: Inteligência Artificial Generativa; Transtorno do Espectro Autista; Educação Inclusiva; Adaptação Curricular; Neurodiversidade.

Principais pontos

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Onde a IA generativa ajuda de verdade
Na elaboração e reorganização de materiais: reescrever um texto em outro nível de complexidade, dividir uma tarefa em etapas, criar perguntas orientadoras, roteiros, histórias sociais e versões alternativas de um mesmo conteúdo. Essa multiplicidade de formatos dialoga com o Desenho Universal para a Aprendizagem.
Adaptar não é simplificar automaticamente
A adaptação curricular não pode ser reduzida à simplificação automática da atividade. Cabe ao professor decidir o que pode ser modificado e quais objetivos de aprendizagem devem ser preservados — a decisão sobre o quê, quando, como e por quê adaptar é dele, em diálogo com a equipe, a família e, sempre que possível, o próprio estudante.
Neurodiversidade como bússola
As adaptações geradas não devem buscar suprimir traços autísticos nem adequar o estudante a um padrão único, e sim oferecer andaimes que respeitem seus modos de processar informação. O artigo discute inclusive a disputa entre a linguagem centrada na pessoa ("pessoa com autismo") e a linguagem da identidade ("pessoa autista").
Três riscos que exigem conferência
Vieses nos dados de treinamento, que podem reproduzir estereótipos; "alucinações", informações incorretas apresentadas com convicção; e proteção de dados — diagnóstico, histórico clínico e acompanhamento terapêutico são dados sensíveis pela LGPD e não devem ser inseridos de forma identificável em ferramentas de IA.
O professor permanece no centro
A IAG é recurso, não substituta. Ela pode otimizar etapas do planejamento para que o professor concentre a atuação na observação do estudante, na mediação e na tomada de decisões pedagógicas — e todo material gerado precisa ser analisado, adaptado e, quando necessário, corrigido antes de chegar à sala.
O que o estudo não responde
Por ser pesquisa bibliográfica, não observou o uso em sala de aula nem mediu efeitos no desempenho dos estudantes. A autora aponta como agenda futura estudos realizados nas escolas, formação continuada sobre uso crítico da IA e orientações institucionais para o uso seguro.

Estrutura do artigo

  1. Introdução
  2. Metodologia
  3. Fundamentação teórica — o paradigma da neurodiversidade; educação inclusiva e direito à aprendizagem no Brasil; IA generativa e aplicações educacionais
  4. Resultados e discussão — adaptação curricular; comunicação e interação; apoio ao professor e à gestão; acessibilidade e multimodalidade; riscos, vieses e ética; o professor como mediador
  5. Limitações do estudo
  6. Considerações finais

Método: Pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico.

Abstract

This article aims to analyze the possibilities, limitations, and ethical-pedagogical implications of using Generative Artificial Intelligence (GAI) in curricular adaptation for students with Autism Spectrum Disorder (ASD) in Brazilian inclusive regular schools.

Keywords: Generative Artificial Intelligence; Autism Spectrum Disorder; Inclusive Education; Curricular Adaptation; Neurodiversity.

Como citar (ABNT)

BESSAS, Débora Mariano de Andrade Taveira. Inteligência Artificial Generativa na educação de estudantes autistas: possibilidades, limites e desafios ético-pedagógicos para a adaptação curricular: uma análise crítica sob a ótica do paradigma da neurodiversidade e do direito à educação. Formiga: NeuroAdapt, 2026. Disponível em: https://www.neuroadaptedu.com/artigos/inteligencia-artificial-generativa-na-educacao-de-estudantes-autistas/. Acesso em: [dia mês abreviado ano].

Versão da autora publicada no portal da NeuroAdapt. Caso o artigo seja publicado em periódico, esta página passará a indicar a referência completa.

Normas citadas no artigo